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Stock Car x Scuderia Bandeiras, quem perde?


 Dezesseis anos depois da criação deste blog e após um longo período sem escrever, volto a este espaço. Parei pelo excesso de polemica e retornei justamente pelo mesmo motivo. Prometo que este será o último post, ou não.

Antes de entrar no assunto, já vou responder à pergunta do título; quem perde sou eu, e você fã de motorsport, ou você “jornalista” de final de semana. Perdemos tempo discutindo, comentando em postagens, assim como jamais recuperaremos o dinheiro gasto em viagens e idas aos autódromos para divulgar Categorias, Pilotos e Equipes, sem custo para eles e com grande sacrifício para nós.

Deixando isso claro e doando mais alguns minutos do meu tempo, começo dizendo que é preciso analisar esse perrengue envolvendo a Scuderia Bandeiras e a Stock Car de uma forma prática e imparcial, sem se apegar demais ao que já aconteceu e tentar entender o que pode acontecer daqui pra frente.  

O que podemos resumir é que temos um caso de um Empresário que, embora tenha proximidade com o automobilismo, mostra que pouco entende de automobilismo e se propôs a comandar uma Categoria. E um automobilista que, embora tenha proximidade com o empreendedorismo, entrou num negócio de milhões de forma precipitada.

O Promotor de Evento e Fornecedor de peças, não tem peças suficientes para fornecer e não tem o jogo de cintura requerido para “promover”. Tudo que a Vicar possui de concreto é a posse da concessão para promover o Campeonato Brasileiro de Stock Car, e até onde eu sei, o próprio nome Stock Car pertence a Chevrolet. Como categoria, já passou por diversas mãos e nunca deixou de existir, nem deixará. O que já está acontecendo é uma “hemorragia” lenta e constante de credibilidade, algo que também não é inédito.

Desde o ano passado a gestão atual vem desagradando Equipes e Pilotos, tanto pela falta de diálogo quanto pela falta componentes para os carros, tudo contornado amigavelmente com uma mordaça virtual, a ponto de hoje nos depararmos com declarações conjuntas das demais equipes em apoio ao seu Algoz. Há meses atras alguns destes chefes de Equipe que assinam tais notas, me procuraram para reclamar de peças que não estavam chegando, rodas, centrais eletrônicas e muitos itens, na esperança que este blog que sempre esteve a serviços de tantos deles, fosse comprar a briga. É fácil entender a submissão, afinal a Stock Car promoveu mecânicos a engenheiros sem frequentar um único dia uma universidade, os tirou de casas de periferia ao redor dos autódromos e os colocou em Alphaville, este mérito jamais poderá ser tirado da Categoria e estes jamais abririam mão destas “conquistas” em nome da dignidade.

O promotor é o dono da festa e quem achar que “a música está ruim e o chopp está quente” é só se retirar. A Scuderia Bandeiras achou, se retirou, precipitada ao entrar e ao se retirar, mas entendo que não haja um timing certo pra investir 20 milhões em um negócio que não depende de si para dar certo, quase uma aposta, e na Bet errada.

O único erro dessa gestão foi não impedir que as equipes que fazem parte da categoria entrassem para a NASCAR Brasil, perdeu o timing, alimentou a categoria rival com suas melhores equipes e abriu um precedente que dificilmente voltará atras. Seria este o caminho da Scuderia Bandeiras?

Até na comunicação a Equipe de Sorocaba se precipita e durante o anuncio da saída definitiva da Stock Car veio a afirmação de que “em breve conheceremos o maior projeto da história da Scuderia Bandeiras”. O anuncio é precipitado porque obviamente se em algum momento anunciarem a ida para qualquer outra categoria, este certamente não seria o maior projeto da história. Se realmente pensam em criar uma nova categoria, esta teria que ser nos moldes de uma GT3 ou maior, porém uma categoria nova depende de pilotos e de preferencia nomes de peso, um prato cheio para a Stock Car retaliar bloqueando seus pilotos de participarem. Resta uma outra alternativa que seria internacionalizar a Equipe e disputar algum campeonato fora do país. O fato é que o anuncio sobre o futuro veio sem ao menos cogitar o que farão e precipitadamente subiram o próprio sarrafo, repito, comunicação é um departamento importantíssimo nestes momentos.    

Em resumo, estamos diante da maior treta da história do automobilismo brasileiro, este “mérito” ambos os lados já possuem. Cada palavra dita por ambos os lados pode ser contestada com um documento em questão de minutos.

Se eu puder dar uma ultima dica, falem o menos possível.  


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