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Stock Car: Acusações recentes não são novidades.


 

Há 15 anos, aqui mesmo neste blog escrevi uma série de artigos com o título; “Passando a Stock Car a limpo” e muito do que você se espanta hoje já estava lá.

Vamos deixar de lado as trocas de acusações entre a Equipe Bandeiras e a Vicar e ter um pouco de serenidade para tentar entender que, nem o atual CEO da Categoria é um Ditador e péssimo administrador, muito menos o dono da Equipe Bandeiras é um menino que abandonou a partida e levou a bola pra casa.  O fato é que a “bolha” do automobilismo brasileiro está prestes a estourar.

Pergunte a qualquer um, que não pertença ao universo do automobilismo, o que ele sabe sobre o esporte e ele dirá que se trata de “um bando de playboys se divertindo com o dinheiro da empresa do pai, de amigos ou lei de incentivo. Sim, é um comentário forte, mas durante décadas o automobilismo foi tratado assim pelos próprios praticantes.

Em 2010 quando eu escrevi os textos acima citados, uma temporada de Stock Car custava por carro, nas equipes de ponta, 1,5 Milhão de reais e já naquele tempo quem pagava a conta era o patrocinador, a diferença é que as corridas naquela época eram feitas com público e para o público. De lá pra cá os valores quadruplicaram e o público caiu para menos da metade.

A categoria e as equipes podem fazer qualquer malabarismo para tentar explicar os custos que no final das contas não haverá nada que justifique uma conta de 5, 6 milhões de reais para estampar sua marca num carro e aparecer na penúltima emissora de TV aberta do país. Além disso, ter que desembolsar mais cerca de 5 milhões por ano se quiser fazer algum tipo de ativação, receber convidados, enfim, tudo é custo e o custo muda de ano pra ano, mas pelo menos até hoje o patrocinador segue bancando.

Se colocarmos na ponta do lápis, mais de 10 milhões de reais para adesivar um carro, aparecer na Band e fazer uma festinha por mês num camarote apertado? Até para grandes Farmacêuticas ainda é um valor considerável, mas aí é que está o detalhe mais importante, uma grande indústria gera milhões em impostos e destes uma porcentagem pode ser revertida para pagar a festinha. Mas atenção, isso só funciona para as grandes industrias que geram impostos proporcionais ao seu tamanho, e com a isenção podem bancar Eventos e Equipes também proporcionais. Do outro lado da corda, categorias regionais, pilotos e equipes menos favorecidos passam o pires na tentativa de “respigar” algum apoio sem muito sucesso.

Então quando ouvimos falar em esquema de importação de pneu, custo de frete de combustível mais caro que o produto na bomba do posto, carros tubulares com bolha de fibra custando centenas de milhares de reais, isso não é novidade pra quem está próximo. Um CEO que chega triplicando valor de inscrição, duplicando aluguel de espaço em autódromo? O de 2016 já fazia isso. Mas e as equipes, o que dizem? Dizem amém e repassam o custo para quem paga toda a brincadeira, afinal, nunca ganharam tanto dinheiro.

O que as acusações que estão vindo a público no momento estão fazendo é chamar a atenção de quem está de fora e reforçar aquela impressão de que é um mundinho fechado, inacessível e repleto de pessoas que estão felizes do jeito que está, e repito, é assim desde sempre e a receita só aumentou, os custos, estes por enquanto tem quem pague. Até as empresas que bancam entenderem que sai mais barato levar seus convidados para um GP de Formula 1 no exterior uma vez por ano, aposto que ficariam mais contentes. E a visibilidade? Que visibilidade?

A Stock Car não vai mudar, é uma entidade, quase um patrimônio nosso, mas quem mudam são as pessoas. Quem acha que está bom como está permanece. Quem por princípios não concorda, abre mão, se muda.

O mundo pertence aos incomodados, não fosse assim, continuaríamos correndo a cavalo. Oremos para que o próximo incomodado não seja o patrocinador.

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